O fortalecimento das organizações de catadores de materiais recicláveis e a construção de condições mais dignas de trabalho para a categoria estiveram no centro de um encontro realizado na quinta-feira (29/10), no Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), em Belo Horizonte. O espaço, vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), foi palco de debates sobre os desafios da reciclagem, a valorização profissional e as políticas públicas necessárias para fortalecer associações e cooperativas em diferentes regiões do estado.
A atividade foi promovida pela Cataunidos, com apoio do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA) e do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), e reuniu lideranças e representantes da categoria. A programação abordou temas como tributação, transição justa, formação de preços, comércio justo, acesso a financiamentos e sustentabilidade das organizações.
A realização do encontro no CMRR reforça o papel do Centro como espaço de referência, articulação e intercâmbio de conhecimentos sobre a gestão de resíduos sólidos. A iniciativa também contribui para aproximar diferentes atores da cadeia da reciclagem, estimular a troca de experiências e dar visibilidade às demandas dos trabalhadores que desempenham papel fundamental na coleta seletiva e na destinação adequada dos materiais recicláveis.
O encontro integra ainda a mobilização que antecede a Expocatadores, evento nacional realizado em São Paulo, que reúne representantes do setor para discutir os desafios e as perspectivas da reciclagem no país. As contribuições de Minas Gerais deverão ajudar a compor as pautas que serão apresentadas durante o evento.
Políticas públicas e reconhecimento profissional
Coordenador do MNCR, Luiz Henrique da Silva destacou a contribuição de Minas Gerais para a construção de políticas de valorização dos catadores, especialmente por meio do programa Bolsa Reciclagem, que prevê o pagamento por serviços ambientais prestados por associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis.
Segundo ele, o fortalecimento da categoria depende da articulação entre os trabalhadores, o poder público e outros setores da sociedade, para ampliar o reconhecimento profissional e garantir melhores condições para o exercício da atividade.
“Minas Gerais tem iniciativas importantes do ponto de vista da valorização dos catadores de materiais recicláveis. Queremos avançar nesse processo, para que sejamos protagonistas dessa ação no país inteiro”, afirmou.
Condições dignas de trabalho
A promoção dos direitos humanos e a melhoria das condições de trabalho também foram temas centrais da programação. Diretor do INSEA, Luciano Silva explicou que o encontro faz parte de uma iniciativa denominada Jornada de Valorização do Trabalho dos Catadores e Catadoras, voltada à discussão dos obstáculos enfrentados pela categoria em diferentes contextos, desde o trabalho nas ruas e em lixões até as atividades desenvolvidas nas associações e cooperativas.
“Estamos iniciando um processo que chamamos de jornada de valorização do trabalho dos catadores e catadoras, discutindo os grandes desafios que temos hoje no estado e no Brasil para a valorização dessa categoria”, destacou.
Representando a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Itabirito (Ascito), Jennifer Thaís ressaltou que o reconhecimento profissional precisa se traduzir em políticas públicas, acesso à informação e oportunidades de financiamento.
“Valorizar não é só dizer que está tudo bem pelo nosso trabalho. É reconhecimento, políticas públicas e acesso à lei de incentivo à reciclagem e à captação de recursos para as associações e cooperativas”, afirmou.
Sustentabilidade da cadeia da reciclagem
A programação também incluiu discussões sobre os desafios das organizações na prestação de serviços e na triagem de resíduos sólidos urbanos, além de temas como inovação, empreendedorismo na cadeia de suprimentos da reciclagem e estratégias para alcançar o equilíbrio financeiro das associações e cooperativas.
No período da tarde, uma roda de diálogo conduzida pelas equipes do INSEA e da Cataunidos aprofundou as discussões e promoveu a construção coletiva de estratégias para a transição da reciclagem popular.
A atividade reforçou a importância de espaços de articulação como o CMRR para o diálogo entre organizações, trabalhadores e instituições envolvidas na gestão de resíduos sólidos. O fortalecimento das associações e cooperativas, aliado à valorização dos catadores, é fundamental para ampliar a reciclagem, promover a inclusão socioprodutiva e avançar na gestão sustentável dos resíduos em Minas Gerais.
Caroline Mércia
Ascom/Sisema


