“Minas e Rio são parceiros no projeto e a recuperação ambiental da área é umas das prioridades do acordo”, afirmou o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho, signatário do protocolo. De acordo com o secretário, a iniciativa demonstra que governos podem trabalhar em sintonia na resolução das grandes questões que os afetam. O secretário lembra que os dois estados e o Ibama vão colaborar tecnicamente com o processo de recuperação da área.
A área a ser recuperada é o terreno onde operava uma planta de beneficiamento de zinco da Ingá Mercantil contaminada por metais pesados como o próprio zinco e o cádmio. Uma bacia de rejeitos, gerada pela lixiviação do metal e que ocupa parte da área, é um dos principais problemas ambientais, e a falta de sistema de tratamento e impermeabilização de parte dos resíduos também contaminou o solo.
A recuperação do passivo ambiental será feita durante a primeira fase do projeto com base em estudos feitos pelo Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Dentre as ações estão a implantação de um sistema de tratamento do líquido armanezado na área e a recuperação de todo sistema de drenagem da planta industrial. Essas medidas visam esvaziar, no menor tempo possível, o rejeito depositado na área e coibir a formação de poças, eliminando assim a fonte de maior risco ambiental. Está prevista ainda a implantação de um sistema de monitoramento para delimitar, com maior confiabilidade, o estado atual de contaminação do subsolo.
Porto de Itaguai
Depois de concluídas as obras de recuperação da área, os dois governos darão início a uma segunda fase do projeto, determinado Porto de Itaguaí. Nessa etapa serão adotadas medidas necessárias à viabilização do porto, que deverá funcionar como depósito e transbordo de mercadorias destinadas à exportação.
Será formado um grupo de trabalho, constituído por no mínimo dois representantes de cada signatário do protocolo para acompanhar a recuperação ambiental e pensar as políticas de atração de investimentos para o projeto, que deve beneficiar os dois estados. A expectativa de geração de empregos diretos e indiretos com o novo porto é de 10 mil vagas, somando as criadas em Minas e no Rio de Janeiro.
Segundo o subsecretário de Indústria, Comércio e Serviços da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), Carlos Eduardo Orsini, que assinou o documento representando o secretário Márcio Araújo de Lacerda, uma das finalidades do projeto é estudar um modelo para que as empresas mineiras possam, no futuro, usufruir da área com a finalidade de colocar seus produtos no exterior.
“Trata-se de uma oportunidade excelente, pois a área conta com logística bastante adequada. O terreno está perto da BR-101, da linha da MRS, e próximo a uma área de calado capaz de receber embarcações de médio e grande portes, o que o torna ideal para embarcar, por exemplo, as cargas das indústrias mineradoras e siderúrgicas”, completou Orsini.