Realizado nessa segunda-feira (04/05), o Workshop APA Sul dos Carnívoros reuniu especialistas, gestores públicos e representantes do setor produtivo no Teatro Municipal de Nova Lima para discutir soluções integradas voltadas à conservação da fauna e ao planejamento sustentável do território.
Promovido pelo Governo de Minas Gerais, por meio do Instituto Estadual de Florestas (IEF), o evento foi realizado em parceria com a Prime Projetos e Soluções Ambientais, a Prefeitura de Nova Lima e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), reunindo instituições que atuam diretamente na proteção e na gestão ambiental da região.
A Área de Proteção Ambiental Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte (APA Sul RMBH) é uma unidade de conservação com 1.625,32 km², localizada ao sul da capital mineira. A área abrange municípios como Nova Lima, Brumadinho, Rio Acima e Belo Horizonte, e foi criada com o objetivo de conservar a biodiversidade, proteger recursos hídricos e preservar paisagens naturais, conciliando essas diretrizes com o desenvolvimento sustentável e a proteção dos mananciais que abastecem a região.
Nesse contexto, o workshop teve como foco a análise da ecologia do movimento de mamíferos carnívoros, considerando tanto aspectos biológicos quanto os impactos provocados pela ação humana, como a expansão urbana e a infraestrutura viária. Ao longo do dia, os debates buscaram integrar conhecimento técnico e propostas práticas para a gestão do território.
Durante o evento, a analista ambiental do IEF, Janaína Aguiar, destacou a importância de articular diferentes frentes de atuação. “A proposta do workshop foi trabalhar a conectividade da fauna, além de discutir os impactos que esses animais sofrem, como os atropelamentos, e a abordagem de saúde única. Estamos em uma área de conservação que reúne diferentes categorias de proteção, e a ideia é construir um planejamento regional que promova essa conexão, sem impedir o desenvolvimento necessário. O desafio é justamente conciliar o desenvolvimento sustentável com a proteção da biodiversidade”, afirmou.
A necessidade de integração entre os diversos atores também foi reforçada pelo secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Lyssandro Norton. Segundo ele, o avanço das políticas ambientais depende do diálogo e da atuação conjunta. “Conciliar os interesses da sociedade civil, do poder público e do setor produtivo é essencial, assim como garantir a proteção da fauna. A ciência tem um papel fundamental nesse processo, contribuindo para qualificar e fortalecer as ações do Estado. É preciso que todos estejam unidos em defesa da biodiversidade”, destacou.
Já o analista de Biodiversidade e Território da Prime Ambiental, Joaquim de Araújo Silva, chamou atenção para o caráter estratégico da iniciativa e para o potencial da APA Sul como referência. “A proposta do workshop foi apresentar, de forma integrada, o conhecimento já existente sobre a ecologia do movimento dos carnívoros nesse território. A ideia é que, ao longo dos anos, a APA Sul se consolide como referência, garantindo serviços ecossistêmicos essenciais para a população e servindo de modelo para outros territórios do estado, de forma sustentável e equilibrada, permitindo que a natureza e as pessoas prosperem”, explicou.
A programação foi estruturada ao longo de todo o dia, com abertura institucional, palestras técnicas e oficinas temáticas. Entre os destaques estiveram as discussões sobre o uso e ocupação do solo na região, os impactos das estruturas viárias sobre a fauna e a construção de diretrizes para uma matriz de ações. No período da tarde, os participantes foram divididos em grupos de trabalho para aprofundar temas como conectividade ecológica, mitigação de atropelamentos e estratégias de saúde única.
O encontro foi encerrado com a consolidação coletiva das propostas debatidas, que devem subsidiar políticas públicas e iniciativas futuras voltadas à preservação da biodiversidade na APA Sul.
Ao reunir diferentes instituições e áreas do conhecimento, o workshop reforçou a importância do planejamento integrado como caminho para equilibrar crescimento econômico e conservação ambiental em uma das regiões mais estratégicas de Minas Gerais.
Caroline Mércia
Ascom/Sisema
