Semana da Água 2026 destaca papel das mulheres na gestão hídrica e reforça desafios de equidade em Minas Gerais

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Criado: Seg, 23 mar 2026 20:56 | Atualizado: Seg, 23 mar 2026 21:10
Abertura do evento chama atenção para impactos desiguais do acesso à água e a necessidade de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão

Foto: Semad/Divulgação
Promovida pelo Igam, a Semana da Água 2026 integra um conjunto de ações voltadas à sensibilização da sociedade sobre a importância dos recursos hídricos
Promovida pelo Igam, a Semana da Água 2026 integra um conjunto de ações voltadas à sensibilização da sociedade sobre a importância dos recursos hídricos

A Semana da Água 2026 teve início nesta segunda-feira (23/3), em Minas Gerais, com uma programação voltada à conscientização sobre o uso sustentável dos recursos hídricos. Logo na abertura, o evento trouxe para o centro do debate um tema essencial, especialmente no mês da mulher: os impactos das desigualdades de gênero no acesso e na gestão da água.


Durante a programação, a especialista em regulação e gestão de recursos hídricos e saneamento da Agência Nacional de Águas (ANA), Renata Maranhão, trouxe uma reflexão direta sobre a relação entre água e gênero. Segundo ela, “reconhecer essa conexão ainda é um passo necessário para avançar na construção de políticas mais justas”.
Em sua fala, Renata destacou que “a falta de acesso à água impacta de forma desproporcional as mulheres, especialmente em territórios mais vulneráveis. Em muitas regiões, são elas que percorrem longas distâncias diariamente para garantir água para suas famílias, enfrentando exposição a riscos, sobrecarga física e perda de tempo que poderia ser destinado à educação, ao trabalho ou à participação social”.

Em Minas Gerais, essa realidade se expressa de forma evidente em regiões do semiárido mineiro, onde o acesso à água ainda impõe desafios diários a diversas comunidades. Nesse contexto, iniciativas como o Programa Água Doce (PAD) têm contribuído para transformar essa realidade ao levar água de qualidade para populações em situação de vulnerabilidade. Ao reduzir a necessidade de longos deslocamentos em busca de água, o programa impacta diretamente a rotina das mulheres, que historicamente assumem esse papel, ampliando suas possibilidades de acesso à educação, ao trabalho e à participação social.


Embora investimentos em abastecimento sejam fundamentais, Renata reforçou que “a equidade depende também de justiça social e de uma governança mais inclusiva”. Isso significa ampliar a presença feminina nos espaços onde as decisões são tomadas, já que, hoje, esses espaços ainda são majoritariamente ocupados por homens.


Dados apresentados durante a palestra mostram que, mesmo com a forte atuação feminina na base da gestão das águas, a participação das mulheres nos comitês e conselhos ainda é significativamente menor, refletindo um modelo histórico que dificulta sua inserção e permanência nesses ambientes.


Além disso, a especialista chamou atenção para um ponto estrutural: políticas públicas que não consideram as especificidades das mulheres tendem a reproduzir desigualdades. Isso se reflete tanto na organização dos espaços de decisão quanto nas condições reais de participação, como disponibilidade de tempo, deslocamento e responsabilidades cotidianas.

 

Durante a apresentação, também foi ressaltado que promover equidade na gestão da água exige considerar diferentes realidades, incluindo fatores como território, raça e condições socioeconômicas. Nesse contexto, a construção de políticas mais eficazes passa por reconhecer essas diferenças e incorporá-las de forma concreta nas ações públicas.


No mês da mulher, o debate reforça que o acesso à água de qualidade envolve não apenas aspectos ambientais, mas também sociais, especialmente no que diz respeito à participação feminina nos processos de decisão relacionados à gestão dos recursos hídricos.

Semana da Água 2026

Promovida pelo Igam, a Semana da Água 2026 integra um conjunto de ações voltadas à sensibilização da sociedade sobre a importância dos recursos hídricos para o equilíbrio ambiental, o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população.


Durante a abertura, o diretor-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Marcelo da Fonseca, destacou que, embora instrumentos como outorga, fiscalização e monitoramento sejam fundamentais, o sucesso da gestão hídrica depende, sobretudo, da escuta ativa da população. “Quando nós falamos em gestão de recursos hídricos, é muito comum pensarmos imediatamente em outorga, fiscalização, monitoramento e todos os instrumentos de gestão. Tudo isso é fundamental no nosso dia a dia, no entanto, existe um elemento central que define o sucesso ou o fracasso de qualquer política pública: ouvir as pessoas”, afirmou.


Segundo ele, considerar as diferentes realidades dos territórios é essencial para a construção de soluções mais eficazes. “Sem olhar para as pessoas, sem olhar para o local, nós não vamos conseguir reconhecer as desigualdades que existem entre os territórios e as populações, seja em áreas urbanas ou rurais”, completou.

Durante toda a semana uma programação vai reunir especialistas e representantes do setor para discutir os desafios da gestão dos recursos hídricos no estado. 


A íntegra da abertura da Semana da Água 2026 está disponível no canal oficial do Sisema no YouTube, clique aqui. Já a programação completa das atividades, com possibilidade de inscrição ao longo da semana, pode ser acessada neste link.

Caroline Mércia
Ascom/Sisema