A realização da COP30, em 2025, em Belém, consolidou o Brasil no centro do debate climático global. No entanto, mais do que os compromissos firmados no âmbito diplomático, o verdadeiro desafio do período pós-conferência é garantir que as metas assumidas se traduzam em políticas públicas efetivas. Nesse cenário, Minas Gerais tem se destacado como protagonista na implementação de instrumentos e mecanismos capazes de transformar compromissos internacionais em resultados concretos no território.
O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), vem consolidando uma agenda estratégica voltada à mitigação e adaptação às mudanças climáticas, alinhada às metas nacionais e aos acordos globais. O Estado tem avançado na estruturação de políticas de descarbonização, no fortalecimento do mercado de carbono, na promoção de mecanismos de pagamento por serviços ambientais e no incentivo a projetos de infraestrutura resiliente e de baixo carbono.
Minas Gerais também tem atuado de forma integrada com os municípios, reconhecendo que grande parte das ações de enfrentamento às mudanças climáticas ocorre diretamente nas cidades — especialmente em áreas como mobilidade urbana, uso e ocupação do solo, saneamento, gestão de resíduos e planejamento territorial. A articulação federativa tem sido fundamental para apoiar os municípios na elaboração de inventários de emissões, na capacitação técnica e na estruturação de projetos aptos a captar recursos nacionais e internacionais.
Para a superintendente de Qualidade Ambiental e Mudanças Climáticas da Semad, Renata Araújo, o período pós-COP30 exige governança e instrumentos sólidos para garantir a efetividade das metas. “O grande desafio é transformar compromissos internacionais em ações concretas no território. Em Minas Gerais, temos trabalhado para integrar as metas climáticas ao planejamento estadual, aos instrumentos orçamentários e aos sistemas de monitoramento, garantindo que a agenda climática se traduza em políticas públicas estruturantes e permanentes”, afirma.
Entre os principais desafios globais está o financiamento climático. Apesar de novos anúncios internacionais, ainda há uma lacuna significativa entre os recursos necessários e os efetivamente disponíveis — especialmente para apoiar municípios de menor porte e regiões mais vulneráveis. Diante desse cenário, Minas Gerais tem investido na consolidação de instrumentos estaduais de financiamento e em parcerias estratégicas que ampliem o acesso a recursos para projetos ambientais e climáticos.
Além disso, o Estado tem buscado alinhar desenvolvimento econômico e sustentabilidade, promovendo a transição para uma economia de baixo carbono com geração de emprego, inovação e competitividade. A agenda climática mineira articula governo, setor produtivo, academia e sociedade civil, fortalecendo um modelo de governança colaborativa e transparente.
O protagonismo de Minas Gerais no pós-COP30 demonstra que a liderança ambiental se constrói não apenas no campo diplomático, mas, sobretudo, na capacidade de implementar políticas públicas consistentes, monitoráveis e integradas ao desenvolvimento sustentável.
“A transição para uma economia de baixo carbono depende de cooperação e de instrumentos eficazes. Minas Gerais tem avançado na construção desses mecanismos, mostrando que é possível conciliar crescimento, responsabilidade ambiental e melhoria da qualidade de vida da população”, conclui Renata Araújo.
Caroline Mércia
Ascom/Sisema

