Operações ambientais identificam irregularidades na produção de carvão e desmatamento em Minas

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Criado: Qua, 01 abr 2026 10:01 | Atualizado: Qua, 01 abr 2026 11:06
Ações da Semad aplicam multas, apreensões e reforçam fiscalização em áreas sob pressão ambiental


A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) realizou, entre os dias 23 e 27 de março de 2026, uma série de operações de fiscalização ambiental em diferentes regiões de Minas Gerais. As ações tiveram como foco o controle da produção de carvão vegetal e o combate ao desmatamento ilegal, resultando na identificação de irregularidades, aplicação de multas e adoção de medidas administrativas.

Uma das principais iniciativas foi a operação “Ricinus IV”, realizada no município de João Pinheiro, no Noroeste do estado. A ação avaliou a regularidade das atividades de colheita florestal e produção de carvão vegetal em áreas de plantio de eucalipto, totalizando 2.435,04 hectares fiscalizados em diversas propriedades rurais.

A fiscalização foi baseada na análise detalhada das Declarações de Colheita Florestal (DCF), incluindo dados sobre áreas autorizadas, volumes liberados e transporte de material. O cruzamento dessas informações revelou inconsistências relevantes, como saldos negativos e divergências entre os volumes autorizados e os efetivamente transportados.

De acordo com a Semad, também foram identificados indícios de incompatibilidade entre os volumes declarados e a produtividade esperada das áreas, o que pode indicar exploração além dos limites permitidos ou o uso de matéria-prima de origem não declarada. Há ainda suspeitas de mistura irregular de carvão vegetal oriundo de vegetação nativa com aquele produzido a partir de florestas plantadas, prática que compromete a rastreabilidade da cadeia produtiva.

Diante das irregularidades, foram adotadas medidas como aplicação de multas, apreensão de caminhão e carga de carvão vegetal, além do bloqueio de saldos no sistema de controle florestal.

Minas Gerais é um dos principais produtores de carvão vegetal do país, com forte presença da silvicultura. No entanto, o estado também enfrenta pressão ambiental significativa, especialmente sobre o bioma Cerrado, o que reforça a necessidade de fiscalização contínua.

Fiscalização no Vale do Jequitinhonha

Paralelamente, a Semad também realizou ações de fiscalização em municípios do Vale do Jequitinhonha, como Pedra Azul, Curral de Dentro, Santa Cruz de Salinas e Medina, com base em alertas de desmatamento gerados pelas plataformas Brasil M.A.I.S. e MapBiomas.

Ao todo, foram analisados 36 alertas de desmate e cerca de 40 alvos de fiscalização, incluindo áreas previamente identificadas e outras inseridas durante a operação. O valor estimado das multas a serem aplicadas pode chegar a R$ 3 milhões.

Segundo os técnicos, em parte das áreas vistoriadas não foram constatados novos desmatamentos. No entanto, foram verificadas irregularidades como o descumprimento de embargos e a interrupção da regeneração natural da vegetação, mesmo após fiscalizações anteriores.

As ações fazem parte da terceira fase da Operação Ecótono, conduzida pelas unidades regionais de fiscalização do Jequitinhonha e do Leste de Minas. A iniciativa concentra esforços em áreas de transição entre biomas — conhecidas como ecótonos — que apresentam alta biodiversidade e, ao mesmo tempo, elevada pressão ambiental.

Essas regiões, localizadas na interface entre Mata Atlântica, Cerrado e áreas com características de Caatinga, são consideradas estratégicas para a conservação ambiental. Segundo a Semad, o monitoramento contínuo busca coibir práticas ilegais e promover a conscientização sobre a importância da preservação e do cumprimento da legislação.

A expectativa é que todos os autos de fiscalização e infração sejam concluídos nos próximos dias. As ações reforçam o compromisso do Estado com a proteção dos recursos naturais, aliando tecnologia, inteligência ambiental e atuação integrada no combate a práticas degradadoras.

Joana Nascimento
Ascom/Sisema