Operação “Tráfico Digital” combate comércio ilegal de animais e reforça proteção da fauna em Minas Gerais

Notícia

Criado: Qui, 14 mai 2026 16:53 | Atualizado: Qui, 14 mai 2026 16:54
Ação integrada em Ribeirão das Neves apreende cerca de 160 animais

Foto: Robson Santos/Divulgação Sisema
Foram encontrados indícios de comercialização digital de fauna para diferentes regiões do país
Foram encontrados indícios de comercialização digital de fauna para diferentes regiões do país

Entre os dias 12 e 13 de maio, uma ação integrada realizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Instituto Estadual de Florestas (IEF), as Polícia Militar de Minas Gerais e Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério Público de Minas Gerais apreenderam cerca de 160 animais em um empreendimento de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após investigação sobre indícios de tráfico de fauna, comercialização ilegal pelas redes sociais, cativeiro irregular e maus-tratos a animais.

A ação mobilizou mais de 40 servidores públicos em uma atuação integrada, reforçando o papel estratégico da fiscalização na preservação da biodiversidade mineira e no combate a crimes que ameaçam espécies silvestres.

O foco da ação foi o empreendimento conhecido como Mini Rancho Neverland, investigado após monitoramento técnico identificar indícios de comercialização clandestina de animais em perfis no Instagram que somavam mais de 580 mil seguidores. As publicações exibiam frequentemente animais silvestres nativos, espécies exóticas e animais domésticos em contextos que indicavam possível venda irregular, sem autorização ou licenciamento ambiental.

Durante a fiscalização, as equipes realizaram a identificação das espécies mantidas no local, conferência documental, leitura de microchips, análise de anilhas e verificação das condições de bem-estar animal. Entre os animais apreendidos estavam Araras, Quatis, Veado-catingueiros, Cotias, Pacas, Saguis, Grou-coroados, Cacatuas, Escorpiãoes, Cervo-rusas, Emus, Marrecos, Patos, Tucanos, Papagaios e uma Jiboia.

Entre os animais domésticos encontrados em situação de maus-tratos estavam ainda três Cabras e uma Alpaca, que morreu no local durante a operação. Também foi localizado o cadáver de uma ovelha. Os dois cadáveres foram encaminhados para necropsia pela Polícia Civil de Minas Gerais, que irá apurar as causas das mortes. As cabras forma encaminhadas para atendimento em hospital veterinário. 

Entre as principais irregularidades constatadas estavam a ausência de documentação para parte dos animais; divergências entre documentos e o plantel existente; utilização de documentos em nome de terceiros; indícios de clonagem e reutilização de anilhas, microchips e notas fiscais; mutilação de animais, como corte parcial das asas de aves; manutenção de animais em espaços pequenos e superlotados; condições sanitárias inadequadas e convivência de múltiplas espécies em ambientes inadequados.

Também foram encontrados indícios de comercialização digital de fauna para diferentes regiões do país.

Proteção da biodiversidade e bem-estar animal

Minas Gerais abriga uma das maiores biodiversidades do Brasil, e crimes relacionados ao tráfico de fauna representam uma ameaça direta à conservação das espécies. A retirada irregular de animais da natureza pode provocar impactos severos, como desequilíbrio ecológico, redução da variabilidade genética e comprometimento de cadeias naturais essenciais para os ecossistemas.

Além dos danos ambientais, o comércio clandestino também expõe os animais a situações de sofrimento e maus-tratos, além de representar riscos sanitários, incluindo a disseminação de zoonoses.

Manter um animal silvestre exige mais do que documentação — exige respeito à natureza. Esses animais não são domésticos e possuem necessidades específicas que dificilmente são plenamente atendidas fora de seu habitat natural.

Ao evitar a compra ilegal e não incentivar esse tipo de conteúdo nas redes sociais, a população contribui diretamente para a proteção da biodiversidade brasileira.

A apreensão dos animais foi uma medida fundamental para interromper esse ciclo. Os cerca de 160 espécimes recolhidos foram encaminhados ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) e a mantenedores autorizados, onde receberão atendimento adequado e passarão por avaliação técnica.

Em caso de dúvidas ou orientações sobre fauna silvestre, a população pode entrar em contato com a Diretoria de Proteção à Fauna do Instituto Estadual de Florestas pelo telefone (31) 3915-1333.

Investigação continua

Durante a operação também foram apreendidos celulares, computadores, documentos, máquinas de cartão de crédito e dispositivos de armazenamento utilizados nas atividades investigadas. O responsável pelo empreendimento foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça.

A multa administrativa está em fase de lavratura e pode chegar a R$ 1,2 milhão.

As investigações continuam com análise documental, perícias técnicas e rastreamento da origem dos animais. A operação reforça a importância da fiscalização ambiental como ferramenta essencial para combater o tráfico de fauna, proteger os animais e garantir o equilíbrio ecológico em Minas Gerais.

Como denunciar crimes ambientais

O Governo de Minas, por meio da Semad, reforça a importância da participação da sociedade na defesa do meio ambiente.

A população pode denunciar práticas suspeitas ou irregulares pelos canais oficiais:

•    LigMinas: disque 155, opção 7 
•    Denúncia online: Canal de denúncia ambiental da Semad 

Nesses canais é possível registrar denúncias de forma simples, segura e transparente, além de acompanhar o andamento da solicitação.

Ascom Sisema