O Encontro de Planejamento da Rede Cataunidos para o Projeto Óleo Circular Solidário marcou um passo estratégico na construção de uma iniciativa voltada à destinação ambientalmente adequada do óleo de cozinha usado em Minas Gerais. Realizada na última semana, no Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), a atividade reuniu associações e cooperativas de catadores, gestores públicos, parceiros institucionais e representantes da sociedade civil.
Ao longo da programação, foram debatidas diretrizes, desafios e possibilidades para estruturar uma cadeia organizada de recolhimento do óleo residual, aliando educação ambiental, proteção dos recursos hídricos e geração de renda para catadores de materiais recicláveis. O principal objetivo do encontro foi alinhar estratégias coletivas que irão orientar a implementação futura do projeto nos municípios integrantes da Rede Cataunidos.
Para a presidente da Rede Cataunidos, Maria das Graças Marçal, conhecida como Dona Geralda, a proposta representa uma oportunidade de ganhos ambientais e sociais. Segundo ela, o óleo de cozinha é um resíduo altamente poluente e, quando descartado de forma inadequada, pode permanecer no ambiente causando danos ao solo e à água. A ideia do projeto é que, futuramente, esse material seja separado e armazenado pelas associações de catadores e encaminhado para a destinação correta, fortalecendo o trabalho das cooperativas e contribuindo para a preservação ambiental.
A superintendente de Resíduos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Alice Libânia, destacou que o Projeto Óleo Circular Solidário está sendo concebido para evitar a degradação ambiental provocada pelo descarte incorreto do óleo comestível.
De acordo com ela, além de proteger solos e recursos hídricos, a iniciativa pretende promover inclusão social e geração de renda, integrando os catadores em todas as etapas da cadeia da economia circular.
Durante o encontro, o diretor-presidente do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea), Luciano Marcos da Silva, explicou que o planejamento prevê a construção de uma logística integrada, capaz de envolver famílias, bares, restaurantes, eventos e grandes geradores. A proposta futura é estimular a separação do óleo usado, sua entrega aos catadores e a incorporação desse resíduo à coleta coletiva. Ele ressaltou que um único litro de óleo descartado incorretamente pode contaminar até 25 mil litros de água, o que reforça a relevância ambiental do projeto.
A programação incluiu momentos de contextualização da atuação da Rede Cataunidos na economia circular, apresentações conceituais sobre reciclagem popular e oficinas em grupos, voltadas à construção de estratégias coletivas para o desenvolvimento da cadeia do óleo residual, além de ações de educação e mobilização ambiental nos municípios participantes.
Atualmente em fase de planejamento, o Projeto Óleo Circular Solidário deverá, quando implementado, abranger municípios das regiões Metropolitana de Belo Horizonte e da Estrada Real. A proposta prevê, futuramente, a participação de 31 municípios, onde o óleo de cozinha usado será coletado e passará por etapas iniciais de organização e limpeza.
Em um cenário futuro, o material deverá ser encaminhado para uma unidade de beneficiamento em Montes Claros, responsável pela destinação ambientalmente adequada do resíduo. A iniciativa está sendo construída de forma colaborativa, com diálogo entre catadores, poder público e parceiros, como estratégia para viabilizar uma solução sustentável, socialmente justa e ambientalmente responsável.
Caroline Mércia
Ascom/Sisema

